Pelo Corredor da Escola

Apontar temáticas do cotidiano escolar é o objetivo primeiro deste blog, na intenção de ser "elo" entre as partes envolvidas (aluno/professor). A reflexão é o nome deste elo, que não só une, mas debate e critica os principais livros do Brasil e do mundo.

Para maiores informações falar com o Prof. Israel Lima

israellima7.4@bol.com.br

terça-feira, 30 de junho de 2009

Intensidade do Amor


(Poesia de Israel Lima)


Não são suficientes

O ar e suas cadências harmônicas,
A lua e sua tímida clareira,
O sol e seus raios rútilos,


Muito menos

A terra e suas miraculosas charnecas,

Os vulcões e seus ensurdecedores frêmitos,
A água e seu ímpeto lacerado,


Nem

A vida e seus arabescos...
A morte e seu desejo nostálgico,
A dor e seu despertar
extasiado,


Mesmo

A alegria e seu cavalgar voluptuoso,
A imensidão celeste,
A profundidade marinha - não seriam suficientes...


Nem mesmo

As palavras mágicas dos poetas
Seriam capazes de descreverem
A intensidade verdadeira do amor...

***


segunda-feira, 29 de junho de 2009

Carta de uma Professora Mineira – 7º Capítulo


Ora, minha gente, tenho fama de implicante e provocadora. Será que eu é que estou me sentindo tão incomodada assim? Será que ele começou a apanhar esses dias? Será que eu tenho mesmo que me sentir tão mal e impotente diante dessa situação.

Como a escola, a Regional a Smed ficam sabendo disso? O que fazem?
Há, ainda, alguns casos muito diferentes desses que mereciam ser aqui registrados, mas confesso que não tenho mais forças para tal: Aristides, o Bob Esponja (como lhe chamam os colegas e no momento me foge seu nome), a Tauane, o Túlio, o Tiago (não sei se é esse mesmo o nome, sala 12, 1º aluno da fila do meio), o Clécio, e uma renca ainda da 8ª série.)

Se por alguns anos nas escolas municipais de Belo Horizonte, a disciplina, o respeito, a educação perderam seu lugar de valores de grande importância a serem construídos, creio que não foi ao acaso. Há parcela de responsabilidade de todos: Secretaria Municipal de Educação, Regionais, Escolas (direção, professores, funcionários e pais).


Não dá mais para tratar esses alunos que não permitem que a sala de aula e a escola funcione como coitadinhos que serão “recuperados” apenas com a boa vontade, afeto, atenção e paciência dos professores ou com algumas rodas de conversa com a Ana Lídia ou outra pessoa. Isso não existe!!!
Não me esqueço nunca que são VÍTIMAS, mas nós não sabemos tratar de suas várias feridas e cicatrizes. Há casos e, no Levindo inúmeros, que isso não dá resultado mais.

Dói dizer, mas alguns desses garotos já são marginais que apanham da polícia sorrindo, como me disse uma mãe, outro dia na porta da escola. Se agüentam a pancadaria da polícia sorrindo, o que lhes fará pensar sobre suas atitudes? Será que nós, professores, teremos tanto poder e competência assim para ajudá-los? Ora, gente, vamos cair na real, chega de balela!!!

Creio que parte de minhas lágrimas são devidas ao sentimento de impotência e outra parte de vergonha de ficar por alguns anos com esse discurso tentando “passar mel” na boca dos professores e até mesmo me dedicar a escrever sobre o assunto.


Podem pensar, dizer , escrever, ela está com o discurso da direita, endoidou de vez, mas minha consciência profissional não me permite calar-me diante de tal perversidade com os alunos e professores. Nosso discurso não é de direita, nem de esquerda, nem de centro é um discurso de irresponsáveis. E eu tenho que dar meu braço a torcer.

Não o direito que não está valendo nada!!!
Sou uma professora experiente e competente, estudei muito todos esses assuntos nos anos em que estive à frente do Departamento de Formação do SindUTE Estadual, durante os meus três anos de mestrado e cinco de doutorado.


Trabalhei em várias escolas da RME e sempre optei por estar nas periferias, sendo que poderia ir para outras escolas centrais: iniciei minha carreira na RME, em 1983, na Escola Municipal Jonas Barcelos (no Barreiro de Cima, depois fui para a Adauto Lúcio Cardoso (Céu Azul), Carlos Lacerda (Cidade Nova), Humberto Castelo Branco, hoje Monteiro Lobato (Gorduras, Penha, sei lá) Alcida Torres (Alto do Taquaril), Israel Pinheiro (Alto do Vera Cruz), Padre Guilherme Peters (Cafezal, Antena da Del Rei) e cheguei ao Levindo Coelho no segundo BM, onde já dobrava.



(Acompanhe o próximo capítulo)

Carta de uma Professora Mineira – 6º Capítulo


Logo depois de ter conversado com a coordenadora, liguei para Candice na Regional Centro Sul e ela se prontificou a passar a questão para os responsáveis. Até hoje ninguém veio falar comigo. Na semana passada a coordenadora informou-me que ele é autista.

Durante o ano passado, participou do projeto de reforço e teve um grande avanço, mas esse ano ainda não há projeto. Eu me pergunto: o projeto para essas crianças deve ter interrupção? Ora, Áurea, eram férias!!! Será que projetos para tratar de tamanha seriedade devem entrar como qualquer outro na mesma dinâmica?

Ah!, mas o aluno precisa de férias!!! Que férias longas, não, já estamos no final de março.
E Isabela? Segundo a coordenadora, chamou a mãe e essa disse que ela não tem nada. A garota, com 8 anos de escolaridade, não lê, se copia do quadro, inventa letras para escrever, pois a cópia não reflete o que está escrito no quadro, não sorri, não se levanta, mal responde alguma pergunta, mas de cabeça baixa.

Não incomodam, ninguém os coloca para fora de sala!!! Para quê? nunca estiveram lá dentro mesmo. Mas isso mexe e mexe muito comigo, com minha responsabilidade humana e profissional. Volto para casa sempre pensando o que preparar para eles, além de pedir que colem os pequenos textos no caderno, contudo ainda não descobri o que fazer. Nunca dei aula para autistas, sei que há diferentes casos.

E ela, mais uma carteira na sala de aula!!! Duro, pesado perverso, mas é isso. E isso dói, dói fundo na alma, na responsabilidade, na ética.
Mas será que vai doer por longo tempo? Será que daqui uns meses, um ano eu não me acostumei. Será que devo ficar pensando, sofrendo por esses alunos que ao final do ano receberão o certificado de conclusão do ensino fundamental, e deixarão de ser responsabilidade do município?

E o Warley? Parece-me que também é autista (já não sei, se é isso mesmo, depois de tantas lágrimas, raiva e sentimento de impotência e sem meu caderno nas mãos, não posso afirmar com certeza), garoto de 12 anos, como dizia minha avó, robusto, com dentes enormes e clarinhos. Não entende lá muita coisa, mas faz uma letra de forma, caixa alta, invejável. Já gastou quase toda a parte de Língua Portuguesa do caderno, com a sua super letra.

Adora ver livros, revistas, vira e mexe está na biblioteca. Nunca esquece o material. Não sei há quanto tempo está na escola, mas me parece que desde o ano passado. Coitado!!!! Não sei se essa é a melhor expressão. Vive com o peito, braços, abdômen roxos de tanta pancada dos colegas. Aproveitam de sua deficiência e sopapos e ponta pés por todos os lados.

Semana passada a coordenadora falava em mudá-lo de sala.
Incomoda? Não, de vez em quando dá uns gritos insuportáveis e uns murros na carteira, no meio da aula, e, se vc estiver distraída, leva aquele susto, mas nada que atrapalhe tanto o andamento das aulas.

Mas a mim incomoda – incômodo insuportável - ter em minha frente - ele se assenta colado à mesa do professor - um saco de pancadas e me incomoda, sobretudo, a atitude dos colegas que em um ano ainda não aprenderam a respeitá-lo. Isso é inclusão? È garantir direitos?


(Acompanhe o próximo capítulo)

sábado, 27 de junho de 2009

O Eco Como Alento





(Poesia de Israel Lima)

Estava lá,
Quase ou meio disperso,

Mesmo perto,
O deserto veio me atormentar;


Mesmo lento,
O eco insistiu em avisar;

Gritei...


Mesmo estando em fase
"Propensa"
Ouvi do eco como alento:

Pensa... Pensa... Pensa...


Por um segundo,
Parei...
Ponderei,


Muitas reflexões inundaram
A minha mente.


Toda essa gente,
Contente... Prudente... Demente,
Comove a gente

Com cenas indecentes:
Violência,
Assassinato,
Transgressão,
Maldição...


Nada de compreensão,
Matam com o olhar;
Devoram com ações;
Traição...


De joelhos pedem
Clemência,
Falam de perdão,
Inocência...


Às vezes vejo-me
Como um ser sórdido,


Com toda morbidez e
Ação negativa
Daqueles que dizem
Saber muito;


Gritam,
Exaltam-se,
Enobrecem-se,
São vilões,
Corruptos,
Insolentes...


Toda gente,
Ora chora,
Ora canta...


São irreconhecíveis...
Mas lamentam
Não se contentam
Sentam,
Morrem...


Novamente quis gritar,
Porém minh’alma quis
“Clamar"...


E o eco como alento,
Disse-me que era
Tão somente preciso:
Amar... Amar... Amar...


***


Carta de uma Professora Mineira – 5º Capítulo


Fui à Regional, lá cheguei aos prantos. Fui bem acolhida. Foram as meninas da inclusão que me atenderam. Chorei... chorei... até conseguir falar o que se passava e lembrei-me do email que já havia enviado dizendo que até super-herói adoece. Disse a eles que não era Madre Tereza de Calcutá nem queria me candidatar a ocupar o lugar do Ramon, mesmo sendo o caso dele muito diferente, e morrer na luta!!!


Logo depois chegaram Zazá e Darcy que também me acolheram e escutaram pacientemente. Pude ver junto com elas que alguns alunos, que os professores citaram em reunião no ano passado, e estava registrado no caderno da Regional, eram os mesmos com os quais venho tendo atritos todos os dias. E o que foi feito com eles e por eles? Parece-me que nada!


Lembrei-lhes mais uma vez, pois já o tinha feito de outras vezes, que a direção da escola e coordenação da escola vêm se esforçando, mas não darão conta de fazer nada, pois estão de pés e mãos atados diante de nossas pífias decisões.


Disse ainda que precisamos tomar medidas mais eficazes – tratamento psicológico e psiquiátrico, assim como medidas mais sérias com esses alunos - suspensão e mesmo expulsão, de forma a alertar as famílias, embora saiba que nem elas estão dando conta dos filhos.

E o que sobrou de tudo isso?


Encerramos a conversa, Zazá já havia prometido pôr mais uma pessoa para ajudar na coordenação e reforçou a promessa. Não sei se isso resolve, creio que não. Mas nessa altura creio que não se pode dispensar nada.


Almocei com Zazá e Darcy, rimos e conversamos, nos separamos na esquina de Tupis com Espírito Santo, para eu descer até a Afonso Pena e tomar um táxi. Antes de chegar ao meio do quarteirão, comecei a vomitar (coisa rara em minha vida, pois não tenho problema de estômago, fígado, enxaqueca, nem tampouco bebo, nem na gravidez tive enjôo e vomitei) e não podendo tomar um táxi, fui andando tonta pela rua até a porta da Prefeitura, quando já não tinha mais nada para vomitar, e tomei um táxi direto para o hospital.


Pressão 17, o dedo médio, da mão esquerda, totalmente inchado e já arroxeando, o úmero do braço direito que fraturei há três anos e levei dois anos para pôr no lugar com muita fisioterapia, depois de seis meses de imobilização total, novamente fora do lugar, devido ao tombo ou “desabamento” na sala de aula e o pior a dor da impotência: saber que nada poderia fazer diante dessa situação a não ser me afastar da escola.


Ah! Ainda tenho a acusar minha impotência diante do silêncio, da imobilidade corporal e facial do olhar no vazio: Isabela e Luciano.


Logo que iniciei as aulas perguntei à coordenadora qual era o diagnóstico desses alunos, ela me disse que não sabia e que iria procurar saber. Já são alunos da escola, pelo menos desde o ano passado, e estão na 8ª série. Sempre que lhes peço algo, a turma responde: “ô professora eles num faz nada não, tem poblema de cabeça”.


Por várias vezes já lhes disse que não podemos nos referir assim às pessoas, mas de nada tem valido meus apelos. O que aprenderam em relação às crianças deficientes ao longo dos anos?



(Acompanhe o próximo capítulo)

Decreto da GDE Não Foi Publicado


Desde que foi criada, em 2001, a Gratificação por Desenvolvimento Educacional (GDE) depende da publicação no Diário Oficial da Cidade, pela Secretaria Municipal de Gestão (SMG), de decreto estabelecendo os critérios para o pagamento individual do benefício. No entanto, até o momento, a SMG ainda não publicou o decreto.

No ano passado, foram consideradas, para efeito de descontos, as faltas abonadas e justificadas, as licenças e a taxa de ocupação da unidade.


Pagamento da primeira parcela ainda não foi efetuado


Durante as negociações ocorridas em abril com o SINPEEM e outras entidades, a SME fez constar em protocolo que a primeira parcela da GDE seria paga em junho, sem descontos, no valor de R$ 800,00 para quem está em Jeif ou na J-40, R$ 600,00 para JBD e R$ 400,00 para quem está na JB.


Na segunda parcela, prevista para dezembro, ficou acordado que não seriam consideradas para efeito de descontos as faltas e licenças ocorridas até 30 de abril. Os critérios seriam os mesmos adotados em 2008, ou seja, assiduidade do servidor e índice de ocupação da unidade escolar.


O SINPEEM cobrou a publicação do decreto da GDE e a Secretaria Municipal de Gestão explicou que, em função da vitória do SINPEEM na Justiça, garantindo o pagamento retroativo da gratificação (2001 a 2008) aos aposentados e suspendendo os descontos de faltas e licenças de qualquer natureza, o governo terá de dispor de mais recursos para arcar com o pagamento deste benefício a todos os profissionais de educação, ativos e aposentados.


Desta forma, decidiu revogar a lei que criou a gratificação e todas as suas disposições posteriores, inclusive o artigo 59 da Lei nº 14.660/07.


Em substituição à GDE, o prefeito enviou para a Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 01-0443/2009, que institui o Prêmio de Desempenho Educacional, publicado na página 50 do DOC de 25 de junho e vinculou o pagamento da primeira parcela à aprovação deste projeto pelos vereadores.


Projeto de lei muda a GDE para PDE


Está claro que a substituição da denominação da GDE para Prêmio de Desempenho Educacional (PDE) e a fixação de critérios quanto ao pagamento, exclusivamente, para os servidores em exercício, é uma resposta aos ganhos judiciais, obti dos pelo SINPEEM, que beneficiam os aposentados.


De acordo com o projeto de lei do Executivo, para ter direito ao PDE, o servidor deverá ter iniciado exercício até 31 de maio do ano a que se refere o prêmio e ter completado, no mínimo, seis meses de efetivo exercício nas unidades da SME. O desempenho das unidades será aferido até o dia 30 de novembro de cada ano.


O valor do PDE será fixado anualmente. Em 2009, o prêmio será pago, excepcionalmente, em duas parcelas: a primeira no mês de regulamentação da lei e a segunda em janeiro de 2010. A partir daí, o pagamento ocorrerá em uma única parcela, no mês de janeiro, mediante decreto e considerada a disponibilidade orçamentária e financeira da Administração Municipal.


O cálculo do PDE será feito de acordo com o que dispuser os indicadores de desempenho das unidades, a serem fixados em decreto, combinado com a jornada a que o servidor estiver submetido no respectivo ano letivo.
Os percentuais estabelecidos no projeto de lei do governo são os mesmos da GDE, ou seja, os profissionais em Jornada Básica do Professor (JB) receberão 50% do valor do prêmio; em Jornada Básica do Docente (JBD), 75%; e em Jornada Especial Integral de Formação (Jeif), Jornada Básica de 30 horas de trabalho semanais (J-30), Jornada Básica do Gestor Educacional (JB-40), Jornada Especial de 40 horas de trabalho semanais (J-40) e Jornada Básica de 40 horas semanais (JB-40), terão direito a 100% do valor do prêmio.


O SINPEEM conseguiu uma grande vitória na Justiça, com a extensão do pagamento da GDE para os aposentados, e não pode concordar com uma lei que pretende, novamente, excluir estes profissionais.


O sindicato está pressionando o governo para que os descontos por faltas abonadas e licenças não ocorram e para que o direito a este prêmio seja extensivo aos aposentados. Apresentaremos emendas modificativas ao projeto de lei do Executivo e continuaremos agindo para que a decisãojudicial se ja cumprida, independentemente da aprovação desta nova lei.


O projeto deve ser votado até o dia 30 de junho. Se isso ocorrer, o governo afirma que poderá pagar a primeira parcela do prêmio em julho.



(INFORMATIVO SINPEEM - 25/06/2009)

Carta de uma Professora Mineira – 4º Capítulo


O aluno, que se senta à sua frente, desse não me lembro bem as características, virava-se para trás e com a caneta atirava-lhe bolinhas de papel no rosto. Ou gritava como um louco. A menina que corria pela sala, agora assentadinha punha a garganta para funcionar junto com o garoto da mochila atirada pela janela, a seu lado, cada vez que eu dizia isso ou aquilo para qualquer aluno.

O aluno da 1ª fila perto da porta, 3ª carteira - magro, claro, louro do cabelo crespo, nada copiava, pois atirava bolinhas de papel com a caneta para todas as direções Até que em dado momento, acertou em mim e fui lá tomei a caneta, quebrei e pus no lixo (ah, nunca poderia ter feito isso!!! Pensei!!!, mas a vontade mesmo era de fazer com que ele engolisse a caneta, já não tinha mais controle de mim).
Bate o sinal para terminar a aula - outra coisa que venho tentando ensinar- minha aula acaba quando saio da sala – mas já havia dito que somente iria para outra sala quando tivesse dado o visto em todos os cadernos daqueles que tinham que copiar o texto.

Faltavam ainda oito e esperei que todos terminassem, mesmo sobre o protesto deles, principalmente porque a próxima aula era educação física, só saíam depois do visto. Ah, muitos podem pensar, como eu já pensei e até falei para muitos professores: coitadinhos, ficar sem a educação física, aula de que mais gostam!

Não tive essa intenção, pois nem sabia que era essa aula, embora acredite que esses alunos necessitam ter algumas sanções para terem limites. E já por duas vezes pedi a Professora Paula e a Professora de Artes, que deixassem aqueles que não acabaram a atividade acabar, pois do contrário o trabalho ficaria prejudicado e não eram aulas de Educação Física. Nesse dia foi mera coincidência.
Enquanto aguardava que todos acabassem, foram quatro alunos à porta dizer que a coordenadora, Lorena, mandou falar para eu ir para a outra sala que o sinal já tinha batido. Eu dizia: - diga a ela que assim que os alunos acabarem eu vou.

Devo ter ficado nessa sala por uns 15 ou 20 min, após o sinal, para que desse o visto em todos os cadernos.
Saí para me dirigir a outra sala, já com a alma em frangalhos. E sou surpreendida pela Lorena que aos gritos: diz que não posso fazer o que bem entendo, que a sala 12 que eu mesma disse que é a pior sala da escola, estava na maior baderna, atrapalhando todas as salas e eu na outra sala.

Já totalmente irritada, digo que ela não sabe o que aconteceu e já gritando tento me explicar, mas desisto e resolvo ir embora. Antes de chegar à sala dos professores o diretor e a coordenadora, Lorena, já estão ao meu lado dizendo que não posso ir embora, pois tenho que dar as aulas, digo que não vou, que chega, não preciso nem vou tolerar essa situação que eles assinaram embaixo da formação de uma corja de alunos na escola, (me referindo à antiga direção que segundo vários e inúmeros professores acolhia os alunos que eram colocados fora de sala, com café, afagos, biscoitos, corte de unhas e dizia que os professores deles não sabiam dar aula e não valiam nada, o que os tornou completamente sem limites), não tomam providências mais sérias e eu não sou responsável por isso pois nem lá estava.

Disse também que me prontifiquei a ajudar a Regional para tentar melhorar a escola, mas que chegava para mim. Algumas professoras que estavam na sala dos professores tentaram explicar o que gerou a falta de limites dos alunos, repetindo a história da ex-diretora.

Eu disse que já estava cansada de saber dessa história e que a escola então deveria tomar providências mais sérias com determinados alunos, mas nada fazia. Lorena disse que já havia chamado as mães da sala 12 que eu havia reclamado para uma reunião na sexta-feira e que nada mais podia fazer. Eu disse que deveriam suspender ou mesmo expulsar determinados alunos da escola.

Ela e o diretor falaram que a regional não deixa. Disse ainda que se eles se candidataram ao cargo e não davam conta que pedissem socorro. Eles tentavam falar, mas eu não queria mais escutar, gritávamos eu e eles. Um bate-boca sem fim!! Peguei minha bolsa e disse vou até a Regional. O diretor ainda disse que era bom mesmo que fosse, pois a Regional estava sempre contra eles.


(Acompanhe o próximo capítulo)

SME Faz Nova Convocação de Concursados que Não Compareceram


Os candidatos aprovados em concurso que não atenderam à convocação da Secretaria Municipal de Educação terão nova oportunidade para escolher as vagas para o provimento dos cargos de professor de educação infantil e ensino fundamental I, professor de ensino fundamental II (História e Inglês) e coordenador pedagógico.

A nova convocação foi publicada no DOC de 25 de junho. A relação de candidatos e o cronograma estão na página 31. A escolha de vagas será no dia 17 de julho, na Conae 2 (avenida Angélica, 2.606, Higienópolis).


(INFORMATIVO SINPEEM - 25/06/2009)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Tão-só


(Poesia de Israel Lima)


Já é noite,
E me invade a solidão;

Estou só.

Só,
Pensando em você.

Onde estará você agora?
Por que não vem me vê?

Nada me consola,
E a certeza me convence
De que estou só.

Só,
Pesando em você.
Tudo parece tão distante...
Já não sei onde te encontrar,
Já tentei de tudo:

Gritei da mais alta colina
O teu nome...
Gritei ao vento
O quanto te amo...
Gritei aos quatro cantos
Do mundo,
Que não consigo viver
Sem teu carinho.

E o eco me convence
De que estou tão-só.

Sua ausência machuca,
Dói,
Maltrata o coração...

Sinto-me só.

Sem ti,
Sou inteiramente incompleto,
És minha outra
Metade...

Tento me convencer,
Não adianta;
Luto com meus sentimentos,
E me convenço de que
Estou só...

Tão-só...

Há miríades de pessoas,
Amigos, colegas...
Mesmo assim, me sinto só,

Tão sozinho,

Relutando,

Tentando,

Chorando,

Amando,

Sofrendo,

Vivendo,

Morrendo,

Tudo me leva a crê

De que estou

tão-só...



***

Carta de uma Professora Mineira – 3º Capítulo


A menina que corria atrás do garoto, está de pé perto de sua carteira aos berros com um garoto - negro de cabelo descolorido e bem baixinho que se assenta na 2º ou 3º carteira, da 2ª fila perto da janela - que está assentado no chão.


O garoto (magro, mais alto do que os colegas, cabelos, curtos e lisos) que se assenta na penúltima carteira da fila perto da janela me pede para ir correndo lá fora, pois jogaram sua mochila pela janela.


Bolinhas de papel atiradas com o corpo das canetas, voam em todas as direções. Isso é o que mais me chama a atenção, mas garotos e garotas de pé, correndo, gritando tem aos montes.

O que me resta: dou um berro e peço que todos se assentem e tirem o material. Digo que estou ali para ensinar e que ganho meu dinheiro ensinando ou não, mas que desde o primeiro dia de aula havia dito que não queria ver nenhum aluno meu sem aprender e da forma como eles estavam estava impossível.


Disse ainda que por serem pobres e morarem na favela não precisavam ser mal educados – gritar, pisar sobre as carteiras, etc- e nem tampouco não aprenderem o que precisavam aprender. Dei aquele sermão.


A garota continua de pé berrando, o garoto da mochila já voltou e grita e o negro de cabelo descolorido está assentado no chão, encostado na parede no fundo da sala.

Vou até a garota, digo que chega, que se assente e mando o garoto negro de cabelo descolorido se levantar do chão e assentar no seu lugar.


Ele vai até a sua carteira e diz que não tem cadeira, vou até lá atrás na sala, apanho uma cadeira vazia e ponho em sua carteira para se assentar. Ele não se assenta e passa a mexer com os outros colegas e atirar bolinhas de papel. Volto e digo para se assentar e tirar o material. Ele se assenta, tira algumas coisas da mochila e diz que não vai fazer nada..


Peço-lhe então que se retire de sala, ele diz que vai com imenso prazer (disso eu não duvido!!!, pois o garoto não quer nada com os estudos) e começa a guardar algumas coisas que estavam sobre a mesa bem devagarzinho. Digo a ele que ande depressa que preciso dar a aula. Ele responde que eu que quiser que espere. Já bastante irritada, pego sua mochila e as coisas que ainda estão sobre a carteira e coloco sobre a murada do corredor e digo: - agora pode ir, suas coisas já estão lá fora.


Ele levanta e sai fazendo os maiores desaforos. Se minha mochila sumir, você me paga, eu não vou pegar a mochila, etc e tal.

Volto, não chego a parar um minuto na frente da sala e caio. Caio sem saber como nem porque. Ouço apenas um silêncio e: - a professora caiu!!!! Levanto-me de um só pulo, com algumas dores. Continuo o sermão dizendo que caí certamente porque perdi o equilíbrio em função do comportamento deles.


Disse ainda que pareciam animais e que eu acreditava que estava dando aula para garotos e garotas. Enfim, babei de falar e tentei explicar o que faríamos naquela aula.

Dezesseis alunos sem os textos. Já que a coordenadora havia chamado minha atenção por ter posto os 14 da outra sala fora, distribui as cópias dos textos que ainda tinha e organizei para que os dezesseis copiassem. Apresentei a atividade do dia para os outros e disse aos que copiavam que talvez não desse tempo de fazerem a atividade, mas que fariam em casa, uma vez que já teriam o texto, pois eu daria visto antes de sair da sala.


Iniciadas as atividades, andava pela sala, observando os cadernos, sobretudo dos que copiavam, e cada erro da cópia que lhes mostrava, vários alunos gritavam, ou imitavam um cavalo. Pedi que não repetissem essa atitude, mas de nada valeram meus pedidos. Mesmo antes de eu falar qualquer coisa, só pelo fato de parar na carteira de um aluno, eles começavam a imitar relinchos e alguns batiam os pés no chão.


Na fila do meio, 3ª carteira, havia um aluno branco, bem gordinho de cabelos crespos, que nada fazia (e nada faz dia algum) e cada vez que lhe chamava atenção a sala vinha abaixo.



(Acompanhe o próximo capítulo)


Saiu a Portaria de Evolução Funcinal para o Quadro de Apoio


A Secretaria Municipal de Educação publicou no dia 24 de junho a Portaria nº 3.276, que dispõe sobre os critérios para a apuração da pontuação de títulos e de tempo para fins de evolução funcional dos integrantes do quadro de apoio. O Decreto nº 50.648, que regul amenta a evolução funcional já havia sido publicado em 02 de junho.

Com isso, os integrantes do quadro de apoio à Educação que atendem aos pré-requisitos determinados tanto pelo decreto como da portaria terão ENQUADRAMENTO AUTOMÁTICO.

Vale lembrar que a cada enquadramento, o servidor tem evolução de 6,5% em seu padrão de vencimento.

Critérios para o enquadramento
A evolução funcional dos integrantes das carreiras do quadro de apoio à Educação é a passagem de uma para outra referência de vencimentos imediatamente superior, mediante enquadramento, de acordo com o tempo de efetivo exercício na carreira, a avaliação de desempenho e os títulos e atividades.

Para ter direito à evolução, os profissionais do quadro de apoio precisam atender às seguintes condições:


I - cumprimento do estágio probatório;

II - implementação do tempo de efetivo exercício na carreira;

III - cumprimento do interstício mínimo de um ano na referência para novo enquadramento;


IV - implementação da pontuação estabelecida na Escala de Evolução Funcional, respeitado o mínimo de 80 pontos.

Títulos para efeito de enquadramento

De acordo com a portaria, serão considerados títulos:

I - graduação em curso superior;

II - pós-graduação lato sensu;

III - ensino médio e/ou técnico profissional, exceto o pré-requisito para o provimento do cargo;

IV - cursos, congressos, seminários e ciclos de palestras em áreas de interesse das atividades dos profissionais das carreiras do quadro de apoio à Educação ou em área de atendimento a alunos portadores de necessidades especiais, com carga horária mínima de 8 (oito) horas;


V - participação como membro da Associação de Pais e Mestres, da Associação de Apoio Comunitário, Conse lho de Escola e Conselho do CEI comprovada por meio de atestado emitido pela unidade educacional e considerada desde que totalize comparecimento a mais de 50% de reuniões realizadas durante a gestão completa;


VI - participação em atividades com a comunidade e/ou atividades com os alunos com necessidades educacionais especiais, comprovada por meio de atestado em que conste o período de realização e quantidade de horas de participação;


VII - tempo de efetivo exercício na carreira.


Primeiro enquadramento

Excepcionalmente para fins de primeiro enquadramento será computado como tempo o período anterior de efetivo exercício em cargos ou funções correlatos, no serviço público municipal, se não se beneficiaram desta contagem até 27 de dezembro de 2007, na seguinte conformidade:

I - para agente escolar: servente escolar, servente e contínuo porteiro;


II - para auxiliar técnico de educação: inspetor de alunos, auxiliar administrativo de ensino, auxiliar de secretaria e secretário de escola.


O primeiro enquadramento será feito diretamente na referência de vencimentos correspondente ao resultado obtido mediante os critérios estabelecidos n o artigo 10 do Decreto nº 50.648/09 ou quando não houver correspondência na imediatamente inferior.


Artigo 10 do Decreto nº 50.648/09:


"Permanecerá por mais um ano na referência o profissional integrante das carreiras do quadro de apoio à Educação que, embora haja implementado todos os prazos e condições para novo enquadramento, durante o período de permanência na referência, tenha sofrido aplicação das penalidades de repreensão ou de suspensão em decorrência de procedimento disciplinar processado na forma da legislação vigente. As tabelas referentes à evolução funcional do quadro de apoio estão disponíveis no site do SINPEEM

(http://www.sinpeem.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=3257).


(Extraído do INFORMATIVO SINPEEM - 25/06/2009)

Carta de uma Professora Mineira – 2º Capítulo


Pergunto porque estão sem a agenda e sem as folhas, várias respostas: esqueci, meu irmão rasgou, fiz bolinha de papel, fulano (referindo-se a um colega de sala, ou mesmo de outras salas que durante os intervalos invadem como loucos as salas vizinhas, batem, jogam mochilas pelas janelas, rasgam material, andam sobre as carteiras) pegou rasgou ou fez bolinha de papel, rasguei porque achei que não iria precisar.


Enfim, 14 alunos sem os textos com os quais iríamos trabalhar. (ah, seria tão fácil se você os colocasse então em duplas para fazerem a atividade, penso eu). Ah! sim, seria e a responsabilidade e o compromisso ficariam para ser construídos não se sabe quando.


Depois de quase dois meses de aula sem conseguir que tragam o material, já tendo deixado alguns dessa mesma sala fora de minha aula, copiando os textos que seriam usados, volto a repetir a ação. Dessa vez, não anoto no meu caderno quem está sem material (sempre os mesmos, com raras exceções), peço que assinem uma folha e os encaminho para mesinhas perto da cantina, onde irão copiar os textos que necessitaremos em nossas aulas, já que serão duas. Peço-lhes que quando acabarem subam para que eu possa dar o visto e iniciarem as atividades programadas.


Desço algumas vezes para ver como anda a cópia e em uma dessas peço à coordenadora que redija um bilhete para que eu possa encaminhar às mães convocando-as para virem à escola. A coordenadora responde que não poderá fazê-lo porque está muito ocupada no momento, pois há salas sem professores.


E chama minha atenção - e não é a primeira vez - dizendo que não posso colocar alunos fora de sala. Respondo já bastante irritada que não posso é ficar com eles na minha sala sem terem nada a fazer e perturbando os outros. Volto à minha sala e redijo o bilhete o qual entrego a ela e digo: está aí o bilhete é só xerocar e enviar, ela olha para mim e diz: - Áurea, você sabe que temos um formulário próprio para isso? Confesso que tive vontade de morrer. Não respondo e volto para minha sala.


Os alunos vão terminando de copiar e na medida em que voltam para a sala, vou tentando explicar-lhes o que devem fazer já que a outra parte da turma já fazendo a atividade. Quase impossível, entram gritando, atrapalhando os outros, batendo, tomando e rabiscando os cadernos, pondo apelidos. Um inferno!!!! Acabam essas duas aulas.

Estou acostumada a dar quatro, oito horas seguidas de aula tranquilamente, mas essas duas me tiraram todas as forças.


Vou para o recreio. O lanche que tento comer – um suco e um pãozinho integral - não conseguem descer. Acho estranho, guardo o lanche. Bebo um pouco de água e fumo um cigarro.


Agora aula na sala 09, também 6ª série. Quando chego à porta da sala tenho vontade de sumir, há pelo menos uns dez alunos de pé sobre a bancada debaixo da janela. Alguns não são alunos da sala e quando entro e fecho a porta, descem da bancada e saem correndo e gritando. Outros pulam da bancada para os tampos das carteiras até chegar no seu lugar.


A garota - infelizmente ainda não sei todos os nomes - que se assenta na última carteira da 2ª fila, perto da janela, pula da bancada para o tampo de uma carteira e depois para o tampo da sua, desce para a cadeira, pula no chão e corre, gritando pela sala atrás de um garoto. Passam na minha frente como se lá eu não estivesse e voltam.


Paro na frente de todos e fico olhando, tenho a impressão de que estou numa rebelião. Penso: o que fazer?



(Acompanhe o próximo capítulo)


quinta-feira, 25 de junho de 2009

Carta de uma Professora Mineira – 1º Capítulo


Convido você para ler esta carta, em forma de desabafo, de uma professora descontente com a educação – a mesma será, aqui, publicada em dez capítulos. Vale conferir! Acompanhe!

ENQUANTO A DINÂMICA DAS SALAS DE AULA CORRE, A SMED, REGIONAIS E DIREÇÃO DE ESCOLA ESTÃO A TOMAR PROVIDÊNCIAS E OS PROFESSORES TOMAM REMÉDIOS.

Que me desculpem todos vocês, mas a realidade não pode ser desconsiderada!!! Não dá mais para entrar no jogo do “ensaio sobre a cegueira”!!!!!

O modo indicativo e tempo presente usados na estrutura da oração subordinada temporal que inicia esse título, assim como o tempo composto com infinitivo na oração principal não são figuras de estilo, mas opção por tempos verbais que realmente mostram a realidade vivida pela educação. O que é “estar a tomar providências”?

Na oração principal, poderia até usar o gerúndio, tão reverenciado por nós educadores, que nos dizemos de esquerda, mas esse tempo verbal indicaria algo que está sendo feito no momento e, infelizmente a realidade não é essa!!!

Relato aqui o ocorrido comigo, professora de Língua Portuguesa, com quase trinta anos de profissão. Esse relato pretende chamar a atenção dos gestores e professores para fazerem prevalecer o presente do indicativo nas ações necessárias à política educacional inclusiva desse município.

No dia 04 de março, enviei à Secretária de Educação, Professora Macaé, e à Regional Centro Sul um email expondo a situação dos alunos e professores na Escola Municipal Senador Levindo Coelho. Nesse pedia providências, ou melhor, socorro. Obtive da Secretária de Educação uma resposta muito bacana e a proposta de que agendariam uma reunião, mas até hoje nada foi feito. Volto então a relatar.

Hoje, dia 19 de março de 2009, vou mais um dia para a escola, desanimada e certa de que as aulas que preparei para os alunos do 3º ciclo, 1º turno, não serão dadas. Mas busco entusiasmo não sei onde, entro para a sala de aula (sala 10, 6ª série) e inicio repetindo o que tenho falado com os alunos desde o primeiro dia de aula: coloquem o caderno, a agenda, o lápis, caneta, borracha, régua, tesoura sobre a mesa e guardem a mochila debaixo da carteira ou dependurada no encosto da cadeira (muitos se deitam, durante a aula, na mochila para dormir ou se escondem atrás dela para dar gritos ensurdecedores sem motivo algum ou para atirar bolinhas de papel enfiadas no corpo das canetas esferográficas).

Essa atividade demanda mais ou menos uns 20 min, pois metade da sala não ouve, ou finge que não ouve, continua a correr pela sala, está virada para trás conversando, está subindo nas bancadas sobre as janelas e de lá pulando de cadeira em cadeira e outros tantos estão a olhar no vazio, sem nada fazer.

Quando estão todos assentados, mais dez minutos para que escutem a proposta de trabalho para o dia.

Verifico o material, 14 alunos não trouxeram os textos distribuídos – no sentido de ajudá-los a se organizar e a organizar o material como está proposto nas nossas Proposições Curriculares, (do contrário, poderia entregar as folhas todos os dias e recolhê-las) ensinei-os a usar a contra capa da agenda, lugar ideal para guardar o material, sem que ele se perca ou amasse. Alguns têm no próprio caderno um local apropriado para isso e ensinei-os também a usá-lo para guardar as folhas.

(Acompanhe o próximo capítulo)


domingo, 21 de junho de 2009

Pílula do dia seguinte! Há Riscos?! Sim.


Todo medicamento deve ser indicado por um médico. Evite a automedicação, pois o que serve para uns pode não servir a outros. Foi ouvindo histórias de muitas de minhas alunas, que resolvi publicar a matéria abaixo, vale muito conferir!

Boa leitura! Deixe seu comentário!


A chamada pílula do dia seguinte é um contraceptivo de emergência que inibe a possibilidade de gravidez em caso da prática de sexo inseguro ou estupro, mas há muitas jovens tomando o medicamento com certa frequência, sem orientação médica e desconhecendo os riscos que isso representa para o organismo. Pesquisa efetuada pela Secretaria de Estado da Saúde revela que a cada dez garotas que vão à farmácia atrás da pílula do dia seguinte, pelo menos sete (76,7%) não receberam nenhuma orientação antes do uso.
O método de emergência despeja no organismo, de uma só vez, uma carga hormonal equivalente a uma caixa inteira de anticoncepcionais e o corpo cobra o preço por isso. Uma das consequências do uso freqüente é que o ciclo menstrual fica desregulado e, aí sim, aumenta e muito a chance de uma gravidez indesejada. Outro problema é que a adolescente, ao se apoiar no uso da pílula do dia seguinte, não usa preservativo durante as relações sexuais, expondo-se a doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids.
No levantamento da Secretaria da Saúde, foram ouvidas 178 jovens com idades entre 14 e 18 anos e 35,8% delas admitiram já ter usado a pílula do dia seguinte. Dessas, 76,7% ignoravam os riscos associados ao uso. A pesquisa mostrou ainda que a anticoncepção de emergência é um método conhecido por 95% das meninas.

O que é e como usar

A pílula do dia seguinte é distribuída na rede pública de saúde como parte da política de planejamento familiar do governo federal, mas é importante a consulta ao médico para que o medicamento seja tomado corretamente e com cautela. O contraceptivo de emergência, cujo princípio ativo é o levonorgestrel, deve ficar reservado a um caso excepcional e ser usado até 72 horas após o ato sexual desprotegido.
Cada dose da pílula do dia seguinte, formada por dois comprimidos, equivale a meia cartela de anticoncepcionais. A taxa grande de hormônios é necessária para o corpo não fornecer as condições para a gestação. O primeiro comprimido deve ser tomado de preferência nas primeiras 24 horas, quando sua eficácia é maior, seguido de outra dose após 12 horas.

Ao serem ingeridas, as pílulas conseguem impedir que o espermatozóide fecunde o óvulo, porém, se isso já ocorreu, a pílula consegue inibir o óvulo para que esse não chegue até o útero, o que impede a gravidez. A Organização Mundial de Saúde defende a tese de que a gravidez só é considerada após a chegada do óvulo fecundado no útero, o que contraria a polêmica de que a pílula do dia seguinte tenha efeito abortivo. A pílula pode falhar em 15% dos casos.


Indicações e contraindicações

É indicada quando ocorre falha do método utilizado pela paciente (como ruptura de preservativo, deslocamento de diafragma, expulsão de DIU), em situações de estupro ou em caso de relação sem proteção (situação que deve ser evitada). A pílula é contraindicada se há suspeita de gravidez, em irregularidades menstruais, em uso anterior à relação ou em pacientes com trombose, hepatopatia, hipertensão arterial grave e outras patologias, que não podem ingerir medicação hormonal. Não há limite de idade para o medicamento, mas em mulheres com mais de 40 anos e em fumantes a pílula aumenta o risco de quadros tromboembólicos. Não deve ser utilizada durante o período de amamentação, pois poderá diminuir a quantidade de leite.


Riscos e abusos

Dores de cabeça, náusea, sangramentos, vômitos e irregularidade no ciclo menstrual são algumas das reações adversas provocadas pelo uso descontrolado do medicamento. Mas nada é tão preocupante quanto o fato de o método não prevenir a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. O uso repetitivo desregula o ciclo menstrual. É tanto hormônio que pode acontecer justamente o que a jovem está querendo evitar: uma gravidez indesejada.


(Extraído do Jornal da Orla - 21/06/2009 - Saúde - Título original: Pílula do dia seguinte por Mírian Ribeiro)

Secretaria abre 500 vagas para bolsa mestrado/doutorado


Educadores selecionados receberão R$ 790 mensais

A Secretaria de Estado da Educação está com as inscrições abertas para 500 vagas de bolsa mestrado e doutorado. Até 15 de julho os 130 mil professores efetivos, 5.500 diretores e 1.200 supervisores da rede podem participar do processo de seleção.

A inscrição deverá feita apenas pelo site:

http://cenp.edunet.sp.gov.br

A lista de documentos exigidos e as normas para obtenção do benefício também estão disponíveis na internet.


Os candidatos devem enviar a ficha de inscrição preenchida pelos Correios, via sedex, ou entregar direto na Diretoria de Ensino, onde trabalham.

Os aprovados receberão ajuda de custo de R$ 790 mensais. O servidor que conseguir o benefício deverá concluir o mestrado em até 24 meses, prorrogáveis por mais seis.

A bolsa para o doutorado tem validade de 48 meses, prorrogáveis por mais seis meses.

(Extraído do site da SEE - 17 de Junho de 2009)

Juiz Acolhe Mandado de Segurança Coletiva do Sinpeem


18/06/209 - O juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça atendeu ao pedido do SINPEEM, concedendo liminar para que a Prefeitura retire da internet a publicação de valores dos vencimentos dos seus associados.

O mandado de segurança impetrado ontem pelo presidente do SINPEEM, Claudio Fonseca, que só foi julgado nesta quinta-feira (18/06), por volta das 18 horas, não se contrapõe à iniciativa da Prefeitura de dar transparência aos seus atos e aplicação dos recursos públicos.

Isto fica muito claro, quando mencionamos no mandado que impetramos o artigo 1º da Lei Municipal nº 14.720/08, que estabelece que o poder público municipal, por meio de todos os órgãos integrantes da Administração Pública direta, indireta, fundacional ou autárquica e do Poder Legislativo, inclusive o Tribunal de Contas do Município, deverá incluir em seus respectivos sites uma relação contendo as seguintes informações sobre seus funcionários e servidores:


I - nome completo;
II - cargo que ocupa;
III - unidade em que exerce o cargo.

Ao divulgar os vencimentos brutos dos servidores, inclusive com vários, sob o manto da transparência, não considerou que deve também se pautar pelo dever da razoabilidade, não expondo os servidores a riscos.

A partir da notificação pela Justiça da liminar conseguida pelo SINPEEM, a Prefeitura, ainda que tenha direito de recorrer, deverá retirar de seu site a informação dos valores dos vencimentos.



(INFORMATIVO SINPEEM - 18/06/2009)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Namoro: A 1ª Etapa do Relacionamento!


Feliz dia dos Namorados!

Quem já não trocou olhares? Quem já não roubou um beijo? Quem já não se pegou sentindo falta daquela pessoa amada?
Quem já não namorou ou namora? Aqui pra nós, ô coisa boa!

Bom, para homenagear este dia e o meu amor [Silvinha] deixo esta minha poesia:

Próprio Amor

Tenho visto em mim,
Sei que não posso negar, há um nome
Para este estranho sentimento:
Sei que fui barro de um oleiro,
Tela de um pintor, água ou o
Próprio amor.

Fui talvez, tudo que há de mais
sagrado,
Fui água, catedral, rima e
Verso,
Fui talvez, descrito por
Neruda, ou quem sabe pelo
Próprio Carlos Drummond de Andrade...

Fui a flor do Saara escaldante,
Deram as minhas mãos
Algemas e não deram pão...

Não fui a lágrima em Israel,
Nem as armas do Vietnã,
Nem sentimento, nem dor,
O próprio amor...

***

Esta matéria eu julgo muito importante vale à pena conferir:

O beijo que, de fato, nos interessa


Beijo é coisa tão antiga que deve ser um comportamento ditado pela genética. E, como estamos nas vésperas do Dia dos Namorados, obviamente não estou me referindo aos beijos solenes, em mãos, rostos e mesmo bocas, destinados ao longo dos tempos e ao sabor de diferentes costumes, a prestar homenagens, reafirmar amizades e reconhecimentos. O beijo que nos interessa, se levarmos em consideração as Escrituras, é aquele que apareceu no mundo, certamente, depois da maçã e antes do pecado original.
Do ponto de vista histórico claro que foi bem antes. O Kama Sutra, o livro dos aforismos sobre o amor dos indianos, que muitos confundem com uma espécie de manual do sexo, cataloga trinta tipos de beijos românticos. Isso, há cerca de 3.500 anos AC. E como o livro foi escrito codificando tradições orais muito mais antigas, é de supor que indianos já eram craques em beijo muito antes de Adão e Eva serem expulsos do paraíso — afinal, os fundamentalistas do Velho Testamento fixam a data daquele primeiro beijo presumido, porque sem dúvida deve ter havido um, em cerca de 6 mil anos atrás. Isso é mixaria para as culturas orientais.
Os antigos romanos foram beijadores compulsivos. E davam a ele tanta importância que distinguiram três tipos, o basium, que era o beijo entre conhecidos, o osculum, que era aquele entre amigos e, finalmente, o suavium, o beijo entre amantes.
O suavium tornou-se tão importante para o imaginário popular, que se exprimiu nas artes visuais (como não reconhecer imediatamente a escultura O Beijo, de Rodin?) e na literatura, para a qual não se precisam buscar exemplos. Mas foi nas telas cinematográficas que ele adquiriu dimensões monumentais. Tornou-se um substituto da realidade e a mais refinada forma de sublimação erótica. O intenso contato entre os lábios dos protagonistas era o ato derradeiro que, infalivelmente, punha fim aos filmes.
Há milhões de pessoas que garantem, até hoje, que "o grande beijo do cinema foi aquele final entre Rick e Ilsa", Humphrey Bogart e Ingrid Bergman respectivamente, em Casablanca. Esse beijo jamais aconteceu no filme dirigido por Michael Curtiz, em 1942. Talvez tenha sido um efeito da belíssima canção tema, "As time Goes By", de Herman Hupfeld, que todo mundo acha que é dos irmãos Gershwin — do mesmo jeito que a manjada frase "play it again, Sam" não é dita no filme e que Bogart e Bergman não tenham ganhado o Oscar por ele, como muita gente jura. Deve ser só o efeito do beijo que não houve.


Beijo de cinema que incendiou a imaginação do público de verdade, veio bem mais tarde na pudica Hollywood, só em 1953, em A um Passo da Eternidade, entre Burt Lancaster e Deborah Kerr, considerado ainda hoje um dos mais tórridos da história. Uma praia deserta, com as ondas do mar produzindo uma metáfora visual incomparável — essas sutilezas hoje em dia foram para o espaço, liquidando o prazer do espectador de usar a imaginação.

Daí eu achar que deve haver algo errado com a "ficança", esporte especialmente praticado no carnaval, quando deriva em uma espécie de campeonato de beijos — quem deu mais no fim do dia? Perde-se a elegância do gesto, o calor do contato especial, a excepcionalidade agradável do que é desejado por mais tempo que alguns segundos.

De outro lado, também não é preciso ser econômico ao ponto de Superman, que enrubesceu como um adolescente ao primeiro beijo de Mirian Lane. Talvez ele não fosse tão super ou não fosse tão... Bom, deixem pra lá, que isso é uma outra história.

Aquele beijo praiano, de Lancaster e Kerr, é comparado atualmente àquele dos dois cowboys gays de Brokeback Mountain, de 2005, quando se encontram, depois de anos, Enis (Heath Ledger) e Jack (Jake Gyllenhall). É um sinal dos tempos. O seriado de tevê Jornada nas Estrelas quase foi tirado do ar, em 1968, quando o branco comandante Kirk (Willian Shatner) aplicou um beijão na negra tenente Uhura (Nicole Nicols). Beijo inter-racial não podia nas telas estadunidenses daquela época, nem se acontecesse no espaço sideral.

Estivesse eu imbuído do "espírito dr. Bactéria", daria importância ao fato de que o beijo permite a troca de pelo menos 250 tipos de bactérias, vírus e protozoários, mas quem é que quer saber disso? Qualquer pessoa que, ao beijar, pense em vírus e protozoários, precisa de outro parceiro(a) ou de um bom psiquiatra, urgentemente.

Prefiro ficar no ramo da fisiologia: num beijo caprichado você movimenta 29 músculos, dos quais 17 são da língua, os batimentos cardíacos aceleram, chegando a 150 por minuto, fazendo uma espécie de exercício para o coração e ainda gasta, em média, 12 calorias. Não é uma beleza? E nem falamos de tudo mais que acontece fisiologicamente, se me entendem.


(Matéria extraída do Joenal da Orla - 07/06/2009 - Mauri Alexandrino - Cotidiano)

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