Pelo Corredor da Escola

Apontar temáticas do cotidiano escolar é o objetivo primeiro deste blog, na intenção de ser "elo" entre as partes envolvidas (aluno/professor). A reflexão é o nome deste elo, que não só une, mas debate e critica os principais livros do Brasil e do mundo.

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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Carta de uma Professora Mineira – 8º Capítulo


Trabalhei também em várias escolas do Estado, de 1977, quando me formei, até 1994, quando assumi meu segundo BH. Em regiões das mais diferentes em BH: Escola Estadual Amélia de Castro Monteiro ( entre Boa Vista e Horto), Cândida Cabral (Alto dos Pinheiros), Instituto de Educação ( Funcionários) São Judas Tadeu (Contagem). Em 1983, passei também no concurso do Estado e fui para a Escola Mendes Pimentel (Providência) e em 1990 ou 1991, não me lembro no momento, fui para a escola Pedro II (em frente ao Pronto Socorro), onde fiquei até pedir exoneração para assumir o 2º BM.


Durante 11 anos trabalhei três turnos, pois tinha também as escolas particulares: das “melhores” como Coleginho da Universidade Católica, Alcinda Fernandes, São Tomás de Aquino, Zilá Frota até as alternativas como o Albert Einsten e uma que não sei definir, mas era bem parecida com o que se vê hoje no Levindo: depósito de adolescentes: Escola José de Alencar Rogedo (escola para filhos de empresários, industriários, banqueiros, deputados, vereadores, professores que já tinham sido expulsos de várias escolas privadas ditas de ponta em BH) Lá fiquei por seis anos e dei conta de muitas feras!!!


Conheço escolas e mais escolas por esse Estado e Brasil. Portanto, não estou falando do que não sei e não tenho competência para falar. Ajudei várias escolas (professores, diretores, funcionários e pais) a elaborarem PPP e Regimento Interno.

Com tudo isso, sinto-me a última educadora dos tempos no mundinho do Levindo Coelho. Desaprendi? Esqueci o que é uma escola? Não, por que não foi uma nem duas vezes na SMED que eu chamava a atenção para o que sofriam os professores nas escolas e nossa impotência. Mas, há sempre outras prioridades....


Sinto muito dizer, mas não dá mais para defender que aluno que não cumpre as normas da escola (e onde estão essas normas?) tenha os mesmos direitos dos outros, ou melhor, tenham o direito de tirar o direito dos outros de aprender. Sinto muito, mas isso não é inclusão. Essa é a forma mais perversa de excluir e excluir em massa: os que cumprem as normas, mas não têm ambiente para aprender e também os que nada cumprem e nada aprenderão.

Não dá mais para dizer que nós, professores, vamos construir com esses alunos a censura – tão dita por Freud quando fala da existência de um certo conflito entre os impulsos humanos e as regras que regem a sociedade e que controla o "princípio do prazer". Ora, temos lá esse poder ou competência? Somos muito presunçosos, não?!!


A escola não salvará o mundo. Chega da minha hipocrisia, da hipocrisia da Smed, dos Conselhos Tutelares, da Promotoria Pública que há anos ditamos um discurso vazio, mas não estamos na escola para dar aulas a esses alunos. Chega!!!! È hora de tomarmos medidas mais sérias com esses alunos e suas famílias. Conversa não constrói censura. A escola não tem esse poder. Muitos hão de dizer a escola sozinha, não, mas se .... CHEGAAAA!!!! Não tem mais se, nem menos se... não temos ajuda para tal. A saúde não pode isso, não quer aquilo, negociação com eles é impossível, dinheiro da educação não pode pagar psicólogo, psiquiatra, médico, não pode isso não pode aquilo, mas pode levar menino para Petrópolis, Terezópolis, Inhotim, Cafundel e deixam 40% viajados e marginalizados. È duro!!!!


Ah de se pensar também, estamos desviando é muito dinheiro da educação, pois os professores, adoecem , caem em depressão e lá vai dinheiro.!. Ah! Também há aqueles e aquelas que dizem não se pode pôr psicólogo ou psiquiatra para cuidar desses meninos, pois os professores vão pôr todos no mesmo balaio. !!!! E citam essa ou aquela pesquisa de mil seiscentos e Adão. Rsrrsrrsrsrrss. Será que tem até mesmo professor fora desse balaio? Eu já caí de cabeça nele.!!!!



(Acompanhe o próximo capítulo)

1 Comentário:

J. Araújo disse...

Olá professor, passei por aqui para conferir as novidades. Deperei com a Crata da professora mineira, muito interessante seu relato. demonstrando o quanto tem de experiencia na área da educação.

Abraço

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