Pelo Corredor da Escola

Apontar temáticas do cotidiano escolar é o objetivo primeiro deste blog, na intenção de ser "elo" entre as partes envolvidas (aluno/professor). A reflexão é o nome deste elo, que não só une, mas debate e critica os principais livros do Brasil e do mundo.

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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Carta de uma Professora Mineira – 9º Capítulo


Chegaaaa, se não temos como “educar e cuidar” dessas crianças de verdade, não podemos continuar fingindo, isso é uma falta de compromisso, uma irresponsabilidade. Em nada se difere essa atitude de eu professora entrar para sala de aula, ficar lá com todos os alunos presos, fingindo que estou ensinando, enquanto eles se espancam, pulam sobre as carteiras se masturbam e não perturbam o andamento da escola, nem da Regional e depois vem a SMED saber porque o Levindo está entre as piores escolas.

Meninos sem aula aprendem o quê? Essa mesma mãe que me falou da relação dos alunos com a polícia, disse-me que foi ajudar a aplicar uma dessas provinhas, sei lá qual, e que foi um inferno! Os garotos berravam, nada escutavam, ela saiu de lá com uma dor de cabeça que parecia que iria morrer e que inclusive já relatou isso a Macaé.
Ficar com esses alunos na escola para eles não perturbarem a sociedade!!!! É essa a inclusão???

Segundo Estrela (1984), o sentimento de fracasso e de impotência diante das situações de indisciplina reflete na imagem profissional do o/a professor/a, levando-o/a a optar pela “conspiração do silêncio” , denegando os desafios que a indisciplina lhe impõe.


Parece-me que é isso que ocorre na Levindo Coelho, onde professores, cheios de boa vontade e de competência, tentam dar aulas com alunos de pé sobre suas mesas e uma algazarra só, como já pude presenciar.
Nesse movimento de manutenção da ordem desejável os/as professores/as convivem com a tensão “provocada pela atitude defensiva, a perda de sentido da eficácia e a diminuição da auto-estima pessoal que levam a sentimentos de frustração e desânimo e ao desejo de abandono da profissão”. (ESTRELA, 1994, p.97) Esse é meu caso!!!

Depois de quase 30 anos de um bela carreira!!!!!
Será que todos nós, professores estamos errados, não queremos trabalhar, somos incompetentes? Ou estamos a tomar providências também? Para encerrar, cito ainda alguns episódios esparsos para que fique mais clara ainda a realidade dessa, digo dessa, porque estava nela, mas de muitas, quiçá de todas as escolas de Belo Horizonte. Ressalvo que os nomes citados não são fictícios.

1. Há uns quinze dias atrás tentava dar minha aula na famosa turma 12. Entre gritos e gargalhadas escandalosos, batucadas de pés e mão, ouvia-se também provocações de uns alunos aos outros. De repente o aluno Humberto, que somente após esse episódio vim a saber que tem um problema (qual nem eu e acho que ninguém sabe) e que não estava tomando os remédios controlados, segundo informações da mãe, levanta-se e cobre o Rafael - aquele do email passado, que se masturbava e gritava na sala - de pancadas.

Os alunos gritam e alguns dizem: - não entra não, fessora, que no ano passado ele quebrou o dedo da professora. Mesmo que não dissessem isso, eu já estava paralisada diante de tamanha violência. Humberto bem alto debruçado sobre o Rafael chutando e dando coques por todos os lados. O barulho dos coques me arrepiava. O que fiz? Nada. Creio que nem mesmo assisti a tamanha brutalidade porque de repente fechei os olhos.



(Acompanhe o próximo capítulo)

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