Pelo Corredor da Escola

Apontar temáticas do cotidiano escolar é o objetivo primeiro deste blog, na intenção de ser "elo" entre as partes envolvidas (aluno/professor). A reflexão é o nome deste elo, que não só une, mas debate e critica os principais livros do Brasil e do mundo.

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Carta de uma Professora Mineira – 3º Capítulo


A menina que corria atrás do garoto, está de pé perto de sua carteira aos berros com um garoto - negro de cabelo descolorido e bem baixinho que se assenta na 2º ou 3º carteira, da 2ª fila perto da janela - que está assentado no chão.


O garoto (magro, mais alto do que os colegas, cabelos, curtos e lisos) que se assenta na penúltima carteira da fila perto da janela me pede para ir correndo lá fora, pois jogaram sua mochila pela janela.


Bolinhas de papel atiradas com o corpo das canetas, voam em todas as direções. Isso é o que mais me chama a atenção, mas garotos e garotas de pé, correndo, gritando tem aos montes.

O que me resta: dou um berro e peço que todos se assentem e tirem o material. Digo que estou ali para ensinar e que ganho meu dinheiro ensinando ou não, mas que desde o primeiro dia de aula havia dito que não queria ver nenhum aluno meu sem aprender e da forma como eles estavam estava impossível.


Disse ainda que por serem pobres e morarem na favela não precisavam ser mal educados – gritar, pisar sobre as carteiras, etc- e nem tampouco não aprenderem o que precisavam aprender. Dei aquele sermão.


A garota continua de pé berrando, o garoto da mochila já voltou e grita e o negro de cabelo descolorido está assentado no chão, encostado na parede no fundo da sala.

Vou até a garota, digo que chega, que se assente e mando o garoto negro de cabelo descolorido se levantar do chão e assentar no seu lugar.


Ele vai até a sua carteira e diz que não tem cadeira, vou até lá atrás na sala, apanho uma cadeira vazia e ponho em sua carteira para se assentar. Ele não se assenta e passa a mexer com os outros colegas e atirar bolinhas de papel. Volto e digo para se assentar e tirar o material. Ele se assenta, tira algumas coisas da mochila e diz que não vai fazer nada..


Peço-lhe então que se retire de sala, ele diz que vai com imenso prazer (disso eu não duvido!!!, pois o garoto não quer nada com os estudos) e começa a guardar algumas coisas que estavam sobre a mesa bem devagarzinho. Digo a ele que ande depressa que preciso dar a aula. Ele responde que eu que quiser que espere. Já bastante irritada, pego sua mochila e as coisas que ainda estão sobre a carteira e coloco sobre a murada do corredor e digo: - agora pode ir, suas coisas já estão lá fora.


Ele levanta e sai fazendo os maiores desaforos. Se minha mochila sumir, você me paga, eu não vou pegar a mochila, etc e tal.

Volto, não chego a parar um minuto na frente da sala e caio. Caio sem saber como nem porque. Ouço apenas um silêncio e: - a professora caiu!!!! Levanto-me de um só pulo, com algumas dores. Continuo o sermão dizendo que caí certamente porque perdi o equilíbrio em função do comportamento deles.


Disse ainda que pareciam animais e que eu acreditava que estava dando aula para garotos e garotas. Enfim, babei de falar e tentei explicar o que faríamos naquela aula.

Dezesseis alunos sem os textos. Já que a coordenadora havia chamado minha atenção por ter posto os 14 da outra sala fora, distribui as cópias dos textos que ainda tinha e organizei para que os dezesseis copiassem. Apresentei a atividade do dia para os outros e disse aos que copiavam que talvez não desse tempo de fazerem a atividade, mas que fariam em casa, uma vez que já teriam o texto, pois eu daria visto antes de sair da sala.


Iniciadas as atividades, andava pela sala, observando os cadernos, sobretudo dos que copiavam, e cada erro da cópia que lhes mostrava, vários alunos gritavam, ou imitavam um cavalo. Pedi que não repetissem essa atitude, mas de nada valeram meus pedidos. Mesmo antes de eu falar qualquer coisa, só pelo fato de parar na carteira de um aluno, eles começavam a imitar relinchos e alguns batiam os pés no chão.


Na fila do meio, 3ª carteira, havia um aluno branco, bem gordinho de cabelos crespos, que nada fazia (e nada faz dia algum) e cada vez que lhe chamava atenção a sala vinha abaixo.



(Acompanhe o próximo capítulo)


1 Comentário:

Anakoelho disse...

Q. coisa triste!
Admiro mto o trabalho de um professor,pessoas tão importantes na vida de todos nós...,por que
essas coisas acontecem...
Parabéns pelo trabalho q. faz,hoje em dia também uma profissão de risco.
Bom fim de semana.


Ana.

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