Pelo Corredor da Escola

Apontar temáticas do cotidiano escolar é o objetivo primeiro deste blog, na intenção de ser "elo" entre as partes envolvidas (aluno/professor). A reflexão é o nome deste elo, que não só une, mas debate e critica os principais livros do Brasil e do mundo.

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dois Bilhões de Laptops Podem Ser Insuficientes Para Educar


A fundação One Laptop Per Child (OLPC) é uma organização sem fins lucrativos que pensa grande. Desde 2007, vem vendendo computadores laptop de baixo preço e alta resistência a governos de países em desenvolvimento. O objetivo é permitir que cada uma dos dois bilhões de crianças nos países em desenvolvimento tenha um laptop. O avanço vem sendo lento. Cerca de 1,6 milhão de laptops produzidos sob os auspícios da organização foram distribuídos até o momento, disse Matt Keller, vice-presidente de operações mundiais da organização, sediada em Cambridge, Massachusetts. Hoje, as maiores concentrações de máquinas do grupo estão no Uruguai (cerca de 400 mil), Peru (280 mil), Ruanda (110 mil), Haiti e Mongólia (15 mil cada). Em 2006, o site da organização definia seu laptop como uma tecnologia que "pode revolucionar a maneira pela qual educamos as crianças de agora". Hoje, a organização já não fala em revolucionar. O site agora adota termos mais discretos, e propõe "desenvolver um recurso essencial crianças bem educadas e preparadas". "O maior obstáculo a que levemos nosso sonho adiante é o custo", diz Keller. Até agora, 90% das máquinas distribuídas foram pagas pelos governos dos países destinatários, cujos recursos são extremamente limitados. Perguntei a Keller se os proponentes da ideia não haviam reconsiderado a meta de "um computador por criança". "Um laptop por classe" certamente não é um slogan tão inspirador, mas talvez seja melhor difundir mais os benefícios em curto prazo, ajudando uma proporção maior dos quase dois bilhões de crianças que não foram beneficiadas. Ele declarou que uma mudança como essa estava fora de questão. "Um para um, crianças e laptops a natureza interativa da experiência está no cerne daquilo que fazemos", ele disse. Quando uma criança é dona de um laptop, o horário escolar na prática cresce de algumas horas para 12 ou 14 horas diárias todo o tempo em que a criança estiver acordada, e não importa onde. Alguns pesquisadores da Microsoft na Índia estão estudando como permitir que as crianças usem melhor os computadores já distribuídos, mesmo que esse uso seja compartilhado. Em um dos projetos, programadores da Microsoft desenvolveram um software que encaixava múltiplos cursores na tela, permitindo que estudantes competissem ou colaborassem para responder perguntas de múltipla escolha. A ideia foi bem recebida nas escolas, e a Microsoft deu ao produto gratuito o nome de MultiPoint. "Por brincadeira, apelidamos o projeto de 'um mouse por criança'", diz Kentaro Toyama, que dirigiu a empreitada durante os cinco anos que passou no grupo de tecnologia para mercados emergentes, parte da divisão de pesquisa da Microsoft na Índia. Toyama conquistou um doutorado em ciências da computação na Universidade Yale, se demitiu da Microsoft em dezembro e agora está pesquisando na Escola de Informação da Universidade da Califórnia em Berkeley. Ele vem realizando palestras em universidades norte-americanas sobre a "utopia tecnológica" que vê em iniciativas como a do projeto One Laptop Per Child, ou Classmate PC, da Intel, e até mesmo no MultiPoint. Ele diz que essas iniciativas se baseiam no mito de que "a tecnologia é o gargalo, nos países em desenvolvimento". Muitas outras coisas também representam gargalos, diz ¿ entre as quais limitações institucionais, situação econômica, infraestrutura básica de serviços e situação política. E tecnologia tampouco deve ser entendida como sinônimo de educação. "Inicialmente, tínhamos a ideia de que um computador seria capaz de compensar o absenteísmo ou mau treinamento dos professores", disse. "Mas estudos sobre o uso escolar de computadores pessoais mostram resultados na melhor das hipóteses contraditórios. A maioria demonstra que uma boa escola, com bons professores, tem usos positivos para computadores, mas não bastam computadores para consertar os problemas das más escolas". Ao descrever o lado utópico dessas ideias de avanço via tecnologia, ele disse que "em resumo, todo mundo está em busca de um atalho". Keller afirma, sobre a declaração de Toyama, que "não existe solução mágica, ele tem razão". Mas Keller argumenta que boa alfabetização e acesso à informação são pré-requisitos para o crescimento econômico e político, e que "a tecnologia pode ajudar a fomentar essas coisas". Entre os problemas de infraestrutura que a equipe de pesquisa da Microsoft viu na Índia rural está a baixa confiabilidade da rede elétrica. Isso levou outro grupo de pesquisa da empresa a oferecer aos agricultores de um distrito via celular e mensagem de texto a mesma informação que eles podem obter com o uso de computadores. Muitos dos laptops distribuídos pela fundação One Laptop Per Child estão equipados com paineis solares que recarregam a máquina em três horas e permitem quatro a seis horas de uso. Keller disse que no começo do ano que vem será lançado um novo modelo com consumo ainda menor de energia. As novas máquinas poderão ser carregadas rapidamente, por meio de uma manivela. Acionar a manivela por um minuto permitirá usar o computador por 10 minutos. Keller conta algumas histórias comoventes sobre suas visitas a aldeias que receberam laptops ¿ e sobre a facilidade natural que as crianças de todo o mundo demonstram no uso de laptops. "Estive em Ruanda, onde o laptop foi introduzido em um ambiente no qual antes não havia quaisquer aparelhos eletrônicos", conta, "e em três ou quatro dias havia meninos e meninas de oito e 10 anos usando os aparelhos de forma tão efetiva e eficiente quanto eu". Agora ele está tentando conquistar verbas do governo dos Estados Unidos para oferecer a todas as crianças do Afeganistão laptops com acesso à internet. Ao preço de US$ 250 por laptop, o projeto custaria US$ 750 milhões. Em Cabul, ele diz, o ministro da Educação afegão lhe disse que o projeto permitiria que "meninas estudem e se conectem da segurança de suas casas". É uma visão quase irresistível, mas um cético poderia apontar para as lições da História e lembrar que a tecnologia jamais funciona de forma isolada. Tradução: Paulo Migliacci ME.


(Clipping 23.04.2010 - Portal Terra Educação, 20/04/2010 Dois bilhões de laptops podem ser insuficientes para educar Randall Stross)



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