Pelo Corredor da Escola

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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Muito Além dos Discursos


O Brasil, de acordo com o ministro da Educação, Fernando Haddad, deve - vejam bem - "deve" erradicar o analfabetismo até o fim desta década. Atualmente, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2008 (Pnad/IBGE), a taxa de analfabetismo no país é de 10% entre a população com mais de 15 anos. Se atingir esse percentual o Brasil irá cumprir o acordo assinado há 10 anos (em 2000), na Conferência Mundial de Educação, em Dacar, que estabeleceu a redução da taxa de analfabetismo em 50% até 2015. Caso a meta seja cumprida daqui a 4 anos o país reduzirá de 10% para 6,7% a taxa de analfabetos, o que para o ministro significa dizer que até o final da década o analfabetismo estará erradicado no Brasil. Vale destacar que por "erradicado" entende-se uma taxa de menos de 4% de analfabetos maiores de 15 anos, índice que a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) considera um indicador aceitável. É claro que "zerar" o número de analfabetos no país é um avanço e um desejo de milhares de brasileiros, que por não saberem ler e escrever são marginalizados e discriminados, sendo que muitos deles sobrevivem em subempregos ou de "doações oficiais" do governo, como o Bolsa Escola. Como a faixa etária em que o analfabetismo é maior atinge os jovens, os governos (federal, estadual e municipal) devem focar as políticas educacionais para esse público. É preciso não apenas levá-los para a escola, mas mantê-los em sala de aula, pois a evasão é uma das principais responsáveis pelo alto índice de analfabetismo no país. Se há evasão é porque por alguma razão a escola não é atrativa para esse aluno. É justamente aí que o governo precisa focar, em escolas que sejam interessantes do ponto de vista do estudante. Se o aluno tiver uma escola com boa infraestrutura, moderna, organizada, com professores bem capacitados, bem remunerados e uma grade curricular que atenda aos anseios dos jovens, dificilmente esses alunos abandonarão as salas de aula, o que acontece hoje com muita facilidade. Para que isso aconteça é preciso muito mais que discursos. Para acabar com o analfabetismo no país é necessário, acima de tudo, vontade de mudar. É preciso ainda sinceridade por parte de nossos governantes. Para sermos um país sem analfabetos precisamos que os alunos saibam na prática ler e escrever, não necessitamos de números mentirosos só para ficarmos bem no ranking e "fingir" que cumprimos as metas estabelecidas na conferência.


(Clipping 16.04.2010 Gazeta de Cuiabá, 16/04/2010 - Cuiabá MT Editorial )

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