Pelo Corredor da Escola

Apontar temáticas do cotidiano escolar é o objetivo primeiro deste blog, na intenção de ser "elo" entre as partes envolvidas (aluno/professor). A reflexão é o nome deste elo, que não só une, mas debate e critica os principais livros do Brasil e do mundo.

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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Escola-Modelo Depende de "Mãe-Inspetora"

Inaugurada em janeiro deste ano e divulgada pelo governo como uma unidade modelo, a escola estadual Jardim Paiva 2, na periferia de Ribeirão Preto, nunca teve inspetores de alunos. Por causa disso, o controle da disciplina depende da ajuda das mães dos estudantes, que trabalham quase diariamente como voluntárias no colégio. Atualmente, quatro mães são voluntárias, na função de inspetoras. Elas têm de controlar os acessos das escadas para impedir que os alunos voltem às salas durante o intervalo, chamam os estudantes para as classes e tentam evitar brigas. Sandra (não revela o sobrenome), 40, uma das "mães-inspetoras", diz que sempre fez questão de participar da vida escolar das filhas e que ajuda no controle da disciplina por "ideal". Ainda assim, considera errado o governo ter inaugurado a escola sem um quadro de funcionários adequado. O Estado alegou que tenta contratar inspetores, mas não consegue. "É bom os pais participarem? É. Mas ali a gente vai por preocupação, porque é muita criança. Estou procurando emprego, preciso trabalhar. Os que estão ajudando também precisam trabalhar. Quem vai ficar lá?", questionou Sandra. Para estudantes e mães ouvidos pela Folha, a ausência de inspetores contribui para a falta de segurança na escola. Eles contam sobre episódios de indisciplina e vandalismo na unidade, como o ocorrido na semana passada, quando estudantes empurraram pela escada um armário de metal. A comunidade do bairro também relata casos em que estudantes atearam fogo numa lixeira da sala de aula e estouraram bomba no banheiro. Outra reclamação envolve adolescentes que não são matriculados e pulam o muro para frequentar o pátio da escola, o que foi constatado pela Folha anteontem. À noite, o medo é em relação a traficantes de drogas. "Sozinha, a direção da escola não tem como dar conta. A diretora entra aqui cedo e sai tarde, mas não tem como", disse uma das mulheres, que pediu anonimato. Pelo menos outras duas mães, que não quiseram ser identificadas, foram convidadas pela escola para o trabalho voluntário. Uma recusou a pedido do marido. A outra trabalhou como "mãe-inspetora" por apenas um dia e desistiu por causa da indisciplina. Na avaliação de Aristides Marchetti, pesquisador do Observatório da Violência da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão e professor da rede pública estadual, quem faz a escola "funcionar" é o inspetor de alunos. Ele critica a postura do Estado e diz que o governo se importou apenas com os ganhos políticos da inauguração. "No momento em que a escola foi inaugurada, o corpo de funcionários deveria estar de acordo, mas não está. Especialmente nessa função [de inspetor de alunos], que é muito importante. Foi temerário começar e não ter." Para construir a escola, que tem capacidade para 1.260 alunos, o Estado investiu cerca de R$ 6 milhões. Folha de São Paulo, 25/04/2010 - São Paulo SP.


(Clipping 26.04.2010 - Folha de São Paulo, 25/04/2010 - São Paulo SP Escola-modelo depende de "mãe-inspetora" Sem funcionários para conter indisciplina, escola aberta este ano pelo ex-governador Serra "apela" para a ajuda de mães. Estado diz que já convocou cinco vezes aprovados em um concurso para agentes escolares, mas não houve interessados na vaga VERIDIANA RIBEIRO DA FOLHA RIBEIRÃO)

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