Pelo Corredor da Escola

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terça-feira, 13 de abril de 2010

Só 17% no Bolsa Família Fizeram Cursos


A vida toda, Alfredo da Silva, 47, sobreviveu catando sururu na beira da lagoa Mandaú, na capital alagoana. Ele, a mulher e até a filha, de apenas 6 anos, trabalham na pesca e preparo do molusco, que rende para a família pouco mais de R$ 120 por mês. O magro orçamento doméstico é reforçado por R$ 90 do Bolsa Família. Silva, que sabe apenas ler e escrever o próprio nome, não tem ilusões sobre o futuro. "Dependo disso aqui. Já me acostumei. Não dá para parar e voltar a estudar. Vou continuar catando sururu até aguentar", responde, sem rodeios, quando questionado se não se interessaria em fazer um curso de capacitação profissional.
Como ele, muitos beneficiários do Bolsa Família demonstram incerteza em relação ao futuro, como comprova uma pesquisa inédita do instituto DataUFF (vinculado à Universidade Federal Fluminense). A pesquisa mostra que essa percepção é verificada mesmo entre os poucos beneficiários (17%) que realizaram cursos preparatórios para ingressar no mercado de trabalho. Entre os que tiveram essa oportunidade, a maioria demonstra incerteza em relação a perspectiva de conseguir trabalho após o curso. O otimismo cresce, no entanto, quando a pergunta refere-se aos filhos. A maior parte das famílias (47%) diz não saber por quanto tempo vai continuar recebendo o benefício e quase um terço (31%) acha que receberá por mais de cinco anos, até o programa acabar, ou até as crianças completarem 18 anos. Para Salete Da Dalt, coordenadora da pesquisa com André Brandão e César Augusto da Silva, os dados indicam que é preciso aperfeiçoar as estratégias de superação da pobreza das famílias no programa. "Não basta dar o curso para pessoas que nunca tiveram acesso ao mercado. Tem que ter uma política de acompanhamento e monitoramento". Segundo gestores e coordenadores do programa nos municípios ouvidos na pesquisa, os beneficiários têm dificuldade em sonhar com profissões além das que já exercem, como pedreiros, ambulantes, faxineiras, manicures ou flanelinhas. Para Salete, isso não significa que as famílias estejam acomodadas e deixando de procurar emprego. O principal entrave é a baixa escolaridade. O demógrafo Eduardo Rios-Neto, coordenador acadêmico de uma pesquisa sobre o Bolsa Família da UFMG, defende que, para a pobreza crônica, não há porta de saída, e é preciso aceitar que o benefício terá caráter permanente. O sociólogo Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE no governo FHC, concorda. Para ele, em muitos casos, a melhor estratégia é apostar nos mais jovens. "Para uma parcela dos pobres, acho que temos que continuar dando o benefício e não esperar muito além disso. Não é um cursinho de seis meses que mudará sua realidade."

(Clipping 12.04.2010 - Folha de São Paulo, 12/04/2010 - São Paulo SP - Pesquisa mostra que programa do governo precisa ser aperfeiçoado para superar pobreza, diz coordenadora de estudo. Maioria dos que fizeram capacitação profissional manifestam incerteza em relação à perspectiva de conseguir vaga de trabalho - ANTÔNIO GOIS ENVIADO ESPECIAL A MACEIÓ)

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